Segunda-feira, 25 de Junho de 2007

Paciência?!...

Tenho folheado, nos últimos dias, os meus livros de poesia e redescoberto alguns de que já não me lembrava. Reli os poemas que tinha marcado das primeiras vezes ( há livros e textos a que regressamos vezes sem conta) e, feito o balanço, há alguns que continuam a ser «aqueles», outros que já não me dizem nada e, por fim, descobri a beleza de outros que antes ignorara ou à qual fora indiferente. 
E hoje, gostava de partilhar este, que «descobri» pela primeira vez:
 
 

ONDE A ESCRITA NÃO OUSA CHEGAR

 

Tudo o que se diga a quem sofre

sabe a pouco se foi dito por quem nunca sofreu.

Não há fala que mitigue a dor

de um corpo à espera da morte,

não há alívio que apazigúe a aflição

de quem se defende da luz de cada dia.

 

Há, do outro lado da escrita,

uma voz que resume todo o sofrimento,

e contudo não se queixa,

não conhece o fel de toda a imprecação

nem a fúria a que leva o desespero.

É uma voz mansa e paciente, delicada,

soletrando as sílabas e os segundos

como se cada hora fosse uma dádiva,

como se cada dia não passasse de um milagre.

 

Nem nos quadros, na exaltação das cores,

encontrei quem enfrentasse o sofrimento

com esta paz, com esta laboriosa esperança.

Este sofrimento já se apoderou

de muito do que eu amava,

sem consentir pactos nem tréguas.

 

Nunca um sofrimento assim

caberá inteiro no tumulto de um poema.

Há lugares a que  a escrita não ousa chegar

por serem demasiado humanos para que os digamos.

 

José Jorge Letria, O Livro Branco da Melancolia

 
 
 
Eu sei que quem nos diz (a todos nós que temos uma doença crónica ou outra doença prolongada) «Tens de ter paciência!», não o faz por mal, mas apenas por não saber o que dizer.
Um conselho: se não sabe o que dizer à/ao seu/sua  amigo(a) que está doente, não diga isto, por favor! Você não sabe a paciência que ele/ela já teve até ao momento, não consegue sequer imaginar o que será passar pelo sofrimento físico e emocional de uma doença que nos desgasta, que nos diminui, que nos rouba tanto, a não ser que já tenha passado pelo mesmo e, mesmo assim, cada um tem a sua maneira própria de enfrentar os  demónios!
Por favor, se não sabe o que dizer, diga apenas «Gosto de ti» e dê-lhe um abraço ou um beijo. Isso chega para nos aquecer a alma e para nos dar força nos momentos mais difíceis.
Paciência, temo-la aos quilos, sempre que damos um passo em frente com um sorriso, mesmo amarelito, nos lábios. Às vezes já não chega é para ouvir o «Tens de ter paciência!»!
 
 
Tou...:
Rabiscado por... misal às 22:48
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