Segunda-feira, 4 de Agosto de 2008

O paraíso é ali mais à frente!

AVE PRESA

 

Este pássaro que nasceu não sei de onde,

que atravessa com o seu voo a imprecisão

da minha noite, que rasga com a lâmina

das suas asas a mortalha da insónia,

foi apanhado por um caçador de furtivos

silêncios. Agora, debate-se na gaiola

do esquecimento; recusa o poleiro para

que o cansaço o empurra; despeja

o bebedouro do tédio que lhe trazem

com a alpista das palavras. Já não canta;

e os seus olhos reflectem um horizonte

cego, como se tivesse perdido o rumo

das migrações. Mas não morre; e

ouço-o debater-se dentro de mim, quando

lhe aceno com o azul, e uma esperança

de céu o obriga a sonhar.

 

Nuno Júdice, A Matéria do Poema

 

 

Ainda que seja mais fácil deixar-me ir na desolação dos projectos por cumprir, sem querer nem pensar nem sentir, apenas sonhando esquecer tudo e acordar amanhã dos pesadelos, a esperança é mais forte que tudo.

Descobri ao fim de tantos anos que sou uma optimista incurável ou que, pelo menos, o instinto de sobrevivência é mais forte que a vontade de me abandonar ao destino (há quem lhe chame acaso, há quem lhe chame a vontade de Deus, embora eu não consiga acreditar num deus que submete aqueles que criou a provações dolorosas!) e de chorar as mágoas! Não que não o faça, também preciso de tempo para curtir a tristeza, mas sinto necessidade de dizer não à  «atracção do abismo», de não me acomodar àquilo que me tem surgido de menos bom. É nestes momentos em que me apetece  nascer de novo num tempo diferente que o desejo de contrariar o que sucede de mau se fortalece nem sei como. Apenas sei que tenho de continuar a lutar, que tenho de construir os meus sonhos e arriscar neles a força que tenho e que, estranhamente, parece duplicar a cada novo obstáculo.

Teimosa? Sim, obviamente! Espírito de contradição? Sem dúvida!... e também a crença de que ainda há bocadinhos de paraíso à espera que eu os encontre ou  à espera que eu os invente a partir da areia que vou pisando estrada fora...

Rabiscado por... misal às 17:06
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