Segunda-feira, 11 de Junho de 2007

COMUNICAR COM SURDOS

Entrei no mundo dos surdos há um ano e tal e foi a descoberta de um mundo inteiramente novo, com códigos próprios, com formas diferentes de comunicar. E descobri, da maneira mais dura, mas sem dúvida mais eficaz, as dificuldades por que passam diariamente as pessoas surdas / com deficiência auditiva para comunicarem com os ouvintes, isto é, para se fazerem entender por eles e para compreenderem o que eles dizem.

 

Passei e passo por situações ora caricatas, ora frustrantes, porque a maioria das pessoas não sabe como comunicar connosco: há quem grite de tal maneira que não se percebe uma palavra e os nossos ouvidos são violentamente agredidos; há quem repita o que disse anteriormente em tom monocórdico; há quem não faça um esforço para nos dar a entender o que diz (felizmente tenho encontrado poucas pessoas assim).

 

Por isso, aqui estão alguns conselhos para comunicar com pessoas surdas (com surdez total, profunda, severa, moderada, leve...) / com deficiência auditiva:

  • Chame a atenção da pessoa, através de gestos, por exemplo, antes de começar a falar.
  • Elimine os barulhos de fundo, se possível, fechando portas e janelas e não falando no meio da barulheira.
  • Mostre a sua cara enquanto fala, com a boca bem visível e de frente para o surdo.
  • Fale claramente, num ritmo regular, sem exagerar a articulação e de forma natural.
  • Use um vocabulário simples e frases claras, evitando utilizar abreviaturas, termos de outras línguas e palavras com duplo sentido.
  • Utilize outras palavras se perceber que não foi compreendido.
  • Escreva os nomes próprios, os termos técnicos, médicos, etc, e assegure-se de que a  pessoa  os compreendeu.
  • Se possível e necessário, recorra a meios técnicos (fax, telefone para surdos) e a Intérpretes de Língua Gestual (mas não se esqueça que muitas pessoas com deficiência auditiva adquirida  em idade adulta não conhecem a LGP).
  • Não mostre aborrecimento por ter de se esforçar para ser compreendido! Não se esqueça que é um privilegiado e pode ouvir! Nós nem sempre, ou nem sempre compreendemos o que ouvimos, ou levamos mais tempo a discriminar o significado dos sons, ou não conseguimos ouvir nada.
  • Não tenha pena de nós - nós é que teremos pena de si se não quiser fazer um esforço para se fazer entender, porque significa que desconhece que não pode viver sozinho e que os laços que criamos com os outros através da comunicação (e ela  concretiza-se através de tantas formas!) são essenciais para a vida em comunidade.

Obrigada!

Tou...:
Rabiscado por... misal às 19:14
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5 comentários:
De Eva a 16 de Novembro de 2012 às 00:57
Olá , estou fazendo um trabalho de pesquisa a respeito da surdez. Suas dicas são muito úteis , pois servirá para meu trabalho e minha vida. Outro dia eu estava aguardando minha condução em um ponto de ónibus , chegou uma moça surda, ela pediu informação para algumas pessoas e não foi compreendida , me senti impotente diante da situação. Com sua dicas, da próxima vez saberei pelo menos tentar ajudar.
De lytha a 12 de Junho de 2007 às 14:28
Vim espreitar o teu blog e achei-o fantástico. Primeiro porque li uma das frases do meu autor preferido, Jostein Gaarder (e só isso já é sinal de inteligência LOL). Depois acho que consigo compreender um pouco do que falas. Tenho uma prima que é surda e os pais dela tiveram muita dificuldade em aceitar o facto. Foi dificil que aceitassem que a filha era diferente. Aprendi algumas coisas com ela e gostaria de aprender muito mais, pena que estejamos tão afastadas.
Mas não é só a surdez. As pessoas assustam-se com tudo o que é diferente daquilo a que chamam normal. Seja uma deficiência, uma doença rara. E depois vem a pena... esse sentimento horrível que nos faz sentir um zero à esquerda e quase nos convence que não somos normais.
Obrigada pelo teu contributo.
Um beijo enorme
De misal a 12 de Junho de 2007 às 15:24
Obrigada pela visita e pelo comentário.
Percebo o que dizes, pois a minha perda auditiva deve-se a uma doença autoimune.
Quanto à pena dos outros, ela magoa por vezes, outras vezes dá-me vontade de rir, quando descubro que a quem a tem deveria guardá-la para si próprio/a, pela insensibilidade e ignorância que revela.
No entanto, a pena que mais temo é a minha: é difícil, por vezes, não nos deixarmos arrastar pela autocomiseração. É contra ela que luto sempre que me sinto mais em baixo, porque ... olha, por uma questão de sobrevivência, porque não quero ficar agarrada às coisas más, porque prefiro tentar seguir caminhos com luz a perder-me na dor.
Coragem, «companheira de luta»!
Inês
De palavrasnosilencio a 12 de Junho de 2007 às 12:33
Ol á Inês misal ),

Gostaria de te dizer que foi com imenso prazer que reparei que me adicionaste á tua lista de amigos! Obrigada !
Visitei o teu Blog e reparei que também existe algo que te liga à surdez e à língua Gestual portuguesa.
É bom quando encontro alguém que partilha os mesmos interesses que eu!
Gostaria de te dizer ainda que é de louvar a forma como encaras a vida pelo que pude perceber através do teu blog!
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Ol á Inês misal ), <BR><BR>Gostaria de te dizer que foi com imenso prazer que reparei que me adicionaste á tua lista de amigos! Obrigada ! <BR>Visitei o teu Blog e reparei que também existe algo que te liga à surdez e à língua Gestual portuguesa. <BR>É bom quando encontro alguém que partilha os mesmos interesses que eu! <BR>Gostaria de te dizer ainda que é de louvar a forma como encaras a vida pelo que pude perceber através do teu blog! <BR class=incorrect name="incorrect" <a>Parabén</A> e continua pois para a frente é que é o caminho! <BR>Felicidades, muitas Felicidades e podes ter a certeza de que virei visitar o teu blog sempre! <BR>Beijinhos e tudo de bom! <BR class=incorrect name="incorrect" <a>palavrasnosilencio.blogs.sapo.pt</A> <img src="http://blogs.sapo.pt/images/mood/EMOTICON_SOL.png">
De misal a 12 de Junho de 2007 às 13:26
Obrigada pelo teu comentário!
Fiquei feliz com o que disseste, mas também por ser a primeira reacção ao que escrevi, ao meu blog. Arrisquei fazer um blog, cheiinha de medo, porque as novas tecnologias me assustam um pouco, porque atrvés de um blog nos expomos ao «olhar» e julgar dos outros.
Descobri que, afinal, um blog pode ser uma ponte entre nós e os outros, para além de nos ajudar a libertar pensamentos e emoções que por vezes reprimimos.
Obrigada por me ajudares a descobrir isto!
Inês

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